Rogério Marinho oficializa candidatura à presidência do Senado

Rogério reúne 33 senadores de quatro partidos - Foto: Thales Marques

O Partido Liberal (PL) oficializou nesta quarta-feira (4) a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal. O anúncio ocorreu durante reunião em Brasília, que reuniu 33 senadores do PL, PP, Republicanos e Novo, além de lideranças políticas. Em seu discurso, Marinho apresentou a candidatura como um movimento de defesa da independência do Parlamento, do equilíbrio entre os Poderes e do respeito à Constituição.

O senador afastou a ideia de que a disputa pelo comando do Congresso represente um terceiro turno das eleições presidenciais ou uma tentativa de confronto com outros Poderes. Segundo ele, o objetivo é “devolver ao Senado sua condição de Casa revisora, moderadora e independente, capaz de exercer plenamente suas atribuições constitucionais”.

“Nós não somos aqui arautos de uma revolução para botarmos abaixo o que aí está. O que nós propomos e o que nós representamos é uma mudança de volta ao eixo originário da nossa Constituição. O que nós defendemos é o respeito à lei”, afirmou.

Marinho criticou o que considera um processo de enfraquecimento do Legislativo, marcado pela “interferência de outros Poderes, pelo bloqueio de pautas e por pressões sobre parlamentares”. Para ele, a “presidência do Senado deve garantir que deputados e senadores exerçam seus mandatos com independência, sem constrangimentos ou interferências externas”.

“Quando se trata de inviolabilidade do mandato parlamentar, não é um tema qualquer. Não é uma questão menor. É se defender o parlamentar de perseguição, de pressão, de chantagem, é permitir que ele possa exercer o seu mandato com altivez”, declarou.

Impeachment

Questionado sobre a possibilidade de sua candidatura ter como bandeira o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Marinho rejeitou transformar o tema no eixo central de sua campanha. Ressaltou, porém, que o Senado não pode renunciar às competências atribuídas pela Constituição, incluindo a análise de eventuais crimes de responsabilidade.

“É evidente que nós não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, mas de respeito à Constituição brasileira. Eu lhes afirmo que nós não seremos omissos, porque ninguém está acima da lei”, afirmou.

O senador também assumiu o compromisso de assegurar a tramitação regular dos projetos legislativos, sem bloqueios determinados por conveniências políticas ou pressões externas. Entre os exemplos citados está a proposta de anistia relacionada aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, cuja apreciação defendeu que seja submetida à deliberação soberana do Parlamento.

“O que a maioria decidir é o que vai acontecer. Não vai haver nem imposição nem coação”, assegurou.

Apesar das críticas ao governo federal, Marinho afirmou que uma eventual presidência sua não terá como objetivo inviabilizar a administração ou impedir a aprovação de projetos de interesse nacional. Defendeu que o Legislativo exerça seu papel de fiscalização, aperfeiçoamento das políticas públicas e controle institucional, com especial atenção à responsabilidade fiscal.

“Não seremos inconsequentes, não paralisaremos o governo. Nós seremos, pelo contrário, a consciência necessária a um governo sem freios”, afirmou. “Se projetos importantes, saudáveis, que façam bem à sociedade brasileira vierem ao Senado da República, vão contar com nosso apoio.”

Articulação 

Marinho destacou a presença de parlamentares de outras legendas e afirmou que o grupo já trabalha com uma perspectiva de mais de 40 votos, número próximo à maioria necessária para vencer a eleição, que é de 41 votos.

O senador reiterou o respeito à candidatura de Tereza Cristina (PP-MS), com quem conversou na manhã desta quarta-feira, e afirmou que ambos compartilham os mesmos princípios e deverão buscar uma convergência no momento oportuno.

“A eleição não é uma ação de força, é uma ação de convencimento”, declarou. “A senadora Tereza é nossa parceira, está do mesmo lado, comungamos das mesmas bandeiras, dos mesmos propósitos.”

Marinho também defendeu a adoção do voto aberto na eleição da Mesa Diretora, como “instrumento de transparência e compromisso com os eleitores”. Ao recordar sua primeira disputa pela presidência do Senado, em 2023, criticou a exclusão da oposição de espaços de participação institucional e prometeu assegurar tratamento diferente caso seja eleito.

“Vamos respeitar a proporcionalidade. Vamos respeitar a democracia. Vamos respeitar a dissidência. Porque, ao contrário do que eles dizem, nós somos democratas. Nós respeitamos aqueles que pensam diferente de nós. Nós queremos o diálogo. Nós queremos o debate”, afirmou.

A eleição para a presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027.

Lista das autoridades presentes na reunião:

1. Senador Rogério Marinho (PL-RN)
2. Senadora Bia Kicis (PL-DF)
3. Senador Marcel van Hattem (NOVO-RS)
4. Deputado Cabo Gilberto (PL-PB)
5. Senador Carlos Jordy (PL-RJ)
6. Senador Filipe Barros (PL-PR)
7. Senador Capitão Contar (PL-MS)
8. Senador Wilder Morais (PL-GO)
9. Senador André do Prado (PL-SP)
10. Senador Domingos Sávio (PL-MG)
11. Senador Evair de Melo (Republicanos-ES)
12. Senador Jaime Bagattoli (PL-RO)
13. Senador Odílio Balbinotti Filho (PL-MT) – Suplente
14. Senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
15. Senador Sanderson (PL-RS)
16. Senador Carlos Bolsonaro (PL-SC)
17. Senador Izailci Lucas (PL-DF)
18. Senador Flávio Azevedo (PL-RN) – Suplente
19. Senador Wellington Fagundes (PL-MT)
20. Senador Luis Felipe Cunha (PL-PR)
21. Senador Reinaldo Azambuja (PL-MS)
22. Senador Gustavo Gayer (PL-GO)
23. Senador Guilherme Derrite (PP-SP)
24. Senador Marcos Rogério (PL-RO)
25. Senador Deltan Dallagnol (NOVO-PR)
26. Senador Lahesio Bonfim (NOVO-MA)
27. Senador Bruno Scheid (PL-RO)
28. Senador Efraim Filho (PL-PB)
29. Senador Márcio Bittar (PL-AC)
30. Senadora Caroline de Toni (PL-SC)
31. Senador Carlos Portinho (PL-RJ)
32. Senador Alfredo Gaspar (PL-AL)
33. Senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
34. Senador Magno Malta (PL-ES)
35. Presidente Valdemar Costa Neto (PL)
36. Senador Dr. Fernando Máximo (PL-RO)
37. Senador Jorge Seif (PL-SC)
38. Deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

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