O Banco do Nordeste Cultural Mossoró, oficialmente instalado no Teatro Lauro Monte Filho desde o dia 14 de maio, está mudando a rotina no Centro da segunda maior cidade do estado. A programação semanal, toda ela gratuita, tem levado um público crescente a frequentar o espaço cultural, resultando numa maior circulação de pessoas no bairro.
Nesta sexta-feira, 29, às 19h, a Cia Bagana de Teatro sobe ao palco com a peça “Amadores”, onde três artistas tentam desesperadamente montar um espetáculo para salvar sua companhia teatral. Entre memórias e desabafos, eles revisitam o período da pandemia de Covid 19, abordam questões políticas e expõem os desafios cotidianos enfrentados por quem escolheu viver da arte. A narrativa tem veia cômica, mas transforma a experiência dos atores em uma reflexão coletiva sobre o significado de ser artista.
A Camerata de Flautas da UERN, grupo formado por estudantes, professores e músicos da comunidade universitária, amplia o repertório do público com uma apresentação que valoriza a música brasileira. São seis flautas, acompanhadas de violão, percussão e contrabaixo, e 50 minutos que fortalecem a cena instrumental local. O show começa às 20h10.
Sábado, 30, há mais reflexão com a “O Torto Andar do Outro”, da Companhia Pão Doce de Teatro. A montagem transcende religiões, costumes e épocas e permite ao público refletir sobre a corrupção, o preconceito e a violência, fazendo sonhar com um mundo onde prevaleça o respeito. Numa cidade encantada, onde todos andam de lado, nasce uma criança que ao andar para frente se torna alvo de perseguição real. A obra, para repensar a existência, é inspirada no cordel “Um conto bem contado”, do poeta mossoroense Antônio Francisco.
Às 20h10, o multiartista mossoroense Pepeu Savant assume o palco com hip-hop e poesia falada. Desde 2017, o “Poeta Psiconauta”, como se autodenomina, constrói uma poética de autoconhecimento, unindo o cotidiano periférico ao imaginário coletivo. Suas letras transitam entre realidade crua das ruas, existencialismo e crítica social, saindo do boom bap (subgênero clássico do rap), passando pelo reggae e chegando ao R&B (ritmo e blues).
Quem encerra a noite e o fim de semana do BNB Cultural Mossoró é o Cumpadi Caboco, com o show “Jornada Trabalhista”. MC, DJ e beatmaker (aquele que cria bases instrumentais e batidas), o artista denuncia as dificuldades enfrentadas pela classe trabalhadora no Brasil, com letras marcadas pela crítica social, empoderamento e solidariedade. O trabalho carrega a identidade do sertão urbano nordestino, voz e vivência de um povo.
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