O debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, promovido nesta quinta-feira pela TCM Telecom, teve como principal característica a valorização da apresentação de propostas para o futuro do Estado. O formato adotado pela emissora permitiu que os candidatos expusessem suas ideias, sem deixar de lado o confronto direto, característica própria de um debate eleitoral.
Afinal, quem vencer a eleição de 4 de outubro terá pela frente grandes desafios em praticamente todas as áreas da administração pública, especialmente no campo fiscal e financeiro. Nesse sentido, a discussão sobre o futuro do Estado ocupou espaço relevante ao longo do debate.
Desempenho
Por liderar as intenções de voto no Rio Grande do Norte e também em Mossoró, além de já ter sido prefeito da segunda maior cidade do Estado por dois mandatos, Allyson Bezerra (União Brasil) foi o principal alvo dos adversários.
Allyson foi provocado a responder sobre diferentes temas relacionados à sua gestão em Mossoró. Entre os assuntos abordados estiveram o Hospital Municipal, questões relacionadas à Operação Mederi e pontos ligados à infraestrutura, entre outros temas. Dentre as promessas feitas por ele, a duplicação da Avenida Francisco Mota, via de grande fluxo na cidade.
Já Cadu de Lula (PT) adotou como uma das principais estratégias a associação de sua candidatura à imagem do presidente Lula (PT). É a principal aposta de sua campanha.
Ao mesmo tempo, fez uma defesa enfática do governo Fátima Bezerra (PT), sempre que provocado, especialmente ao tratar de temas como saúde, questão fiscal e infraestrutura rodoviária.
Na questão das estradas, Cadu defendeu a ampliação do programa de recuperação da malha viária estadual. Ao longo do debate, também buscou posicionar Allyson Bezerra e Álvaro Dias no campo da direita e reforçar sua identificação com os governos Lula e Fátima. Ele disse ser não apenas “Cadu de Lula”, mas também “Cadu de Fátima”.
Ele foi confrontado com aumento das facções criminosas, parcelamento da folha salarial e situação das estradas.
Álvaro Dias, por sua vez, respondeu a questionamentos relacionados à educação, incluindo o desempenho de Natal no Ideb, que ficou na lanterninha do país entre as capitais, e também tratou de questões envolvendo Mossoró. Entre suas propostas, mencionou a construção da Escola Padre Sátiro Cavalcanti Dantas.
O candidato também protagonizou os momentos de maior tensão do debate, especialmente nos embates com Allyson Bezerra. Em determinado momento, Álvaro demonstrou forte irritação após ser associado por duas vezes, por Allyson, à expressão “trem da alegria”, em referência a supostas nomeações de vários familiares quando era deputado estadual. Nos bastidores, pelos microfones, chegou a ser possível ouvir Álvaro afirmar que iria processar Allyson.
Robério Paulino (PSOL) também adotou uma postura mais incisiva nos confrontos, sobretudo nas provocações dirigidas a Allyson. O candidato abordou temas como o combate ao analfabetismo e o empreendedorismo, defendendo uma política de incentivo à abertura e ao fortalecimento de empresas locais, em vez de concentrar a estratégia apenas na atração de empregos.
Nas considerações iniciais e finais, Robério também buscou associar sua candidatura ao campo político do presidente Lula, explorando o posicionamento dos demais candidatos em relação ao atual governo federal.
Condução
A condução do jornalista Moisés Albuquerque também foi um dos destaques. O mediador conseguiu administrar rapidamente situações de tensão e manter o debate dentro da dinâmica estabelecida pela emissora.
O debate cumpriu o objetivo de colocar os candidatos diante de temas relevantes para o futuro do Rio Grande do Norte, sem transformar a discussão exclusivamente em uma sucessão de ataques pessoais.
Houve confronto, momentos de tensão e estratégias eleitorais bem definidas, mas também espaço significativo para a exposição das propostas.
Ganhou o eleitor.
Assista ao debate na íntegra.
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