RN receberá Supercomputador de Inteligência Artificial avaliado em R$ 1,06 bilhão

Foto: Humberto Sales

O Rio Grande do Norte dá um novo passo para ampliar sua presença no cenário nacional de tecnologia e inovação com a instalação de um supercomputador de alto desempenho voltado à inteligência artificial. Avaliado em cerca de R$ 1,06 bilhão, o equipamento terá capacidade para processar grandes volumes de dados e realizar cálculos complexos, ampliando a infraestrutura disponível para pesquisas científicas e desenvolvimento tecnológico do estado.

Na cidade de Macaíba, na Grande Natal — terra de Augusto Severo (1864–1902), responsável por criações que permitiram o desenvolvimento das ciências aeronáuticas —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a instalação do supercomputador durante visita ao estado nesta quinta-feira (20). O equipamento será abrigado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX) e integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A governadora Fátima Bezerra destacou que a chegada do supercomputador representa um novo patamar para o Rio Grande do Norte em ciência, pesquisa, formação de profissionais e atração de investimentos no segmento de inteligência artificial. “O supercomputador amplia a integração entre a infraestrutura de computação de alto desempenho e o ecossistema científico e tecnológico já existente no estado”, disse.

Ainda de acordo com ela, o anúncio do governo federal confirma o Rio Grande do Norte como um protagonista no setor de tecnologia, energias renováveis e, a partir de agora, em inteligência artificial. “O estado responde hoje por mais de 30% da energia eólica do país. Agora, vamos consolidar nossa posição na vanguarda da inteligência artificial. Este equipamento converte nosso estado em um centro estratégico de produção de conhecimento para o Brasil e para o mundo. Desde o anúncio do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, trabalhamos incansavelmente para viabilizar esta infraestrutura”, declarou.

Para o presidente Lula, o objetivo é garantir soberania tecnológica ao Brasil, expandindo a capacidade nacional de processamento de dados de IA e reduzindo a dependência de infraestruturas no exterior. Ele reforçou que a tecnologia será aplicada nas áreas de saúde, clima, indústria e energias renováveis. “E por que o Rio Grande do Norte? Porque eu acho que a gente precisa olhar para o Brasil, e para os estados que mais necessitam. E nesse instante o Rio Grande do Norte merecia um cafuné no nosso governo”, disse.

De acordo com o MCTI, R$ 960 milhões serão destinados à aquisição do equipamento e outros R$ 100 milhões às etapas de preparação e operação. O supercomputador terá 7.200 petaflops de desempenho em FP16, mais de 50 mil núcleos de processamento e consumo elétrico estimado em 4 megawatts.

Segundo o MCTI, o supercomputador de alto desempenho permite executar, em menor tempo, operações que exigem grande capacidade de processamento. A capacidade computacional também poderá atender a projetos que envolvam enormes bases de dados, contribuindo para o desenvolvimento de novas soluções e ferramentas tecnológicas. “Os Estados Unidos têm 65% de toda essa coisa de inteligência artificial. A China deve ter uns 15% ou 30%. Mas nem chinês nem americano é melhor do que nós, nós vamos entrar nesse mercado”, ressaltou Lula.

Decisão estratégica

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que a escolha do Rio Grande do Norte está fundamentada na liderança potiguar na geração de energias limpas, o que permite custos operacionais até dez vezes menores do que os registrados no Sudeste, devido à eficiência energética. Ela detalhou, ainda, que a chamada pública para a compra do supercomputador foi publicada nesta quinta-feira.

“A instalação desta infraestrutura no Nordeste reflete uma decisão estratégica acertada, que valoriza o desenvolvimento regional com base nas competências locais. Trata-se, fundamentalmente, de um projeto de soberania digital brasileira. Diante dos desafios tecnológicos contemporâneos, este plano permitirá ao país atuar como protagonista no desenvolvimento de tecnologias próprias, e não apenas como mero usuário”, disse.

A ministra pontuou também que a estrutura no Rio Grande do Norte será a primeira de três frentes apresentadas pelo governo federal para ampliar a infraestrutura brasileira de supercomputação dentro do PBIA. A segunda envolve uma cooperação tecnológica com a China, com estrutura prevista para o Rio de Janeiro; e a terceira foca no desenvolvimento de chips com arquitetura aberta em Campinas, no estado de São Paulo. “A inteligência artificial transformará o modo de produção, o mercado de trabalho e a ciência, impactando diretamente a vida da população e ampliando nossa capacidade de solucionar problemas nacionais”, explicou Luciana Santos.

Além do aporte financeiro para a instalação física, o projeto foca na retenção de talentos e no fomento à pesquisa e ao desenvolvimento de soluções de IA aplicadas a desafios locais, como a gestão de recursos hídricos.

A instalação integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, programa que prevê investimentos de até R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028 em infraestrutura, pesquisa e outras ações do setor. A iniciativa reforça a estratégia de ampliar a computação de alto desempenho no Brasil.

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